quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Deusa do Cerrado

Por onde olho,
Vejo pontos coloridos,
Serão seus olhos,
Ou ipês floridos?
Por onde ando,
Sinto o ardor da terra,
Ou será minha boca,
Sedenta por ela?
A cada passo que dou,
Sinto minhas forças se exaurindo,
Ou será a saudade de ti,
Que estou sentindo?
Com sede,
Me sacio em tuas veredas,
Com fome,
Me farto em seu pequi,
E com saudade retorno a ti,
Como um passarinho sem namorado.
Pois tu és Minha Deusa do Cerrado.








Alex Versiane
poema enviado ao Clube Literário em 03 de fevereiro de 2015

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Poema para os poetas da minha cidade

Na minha cidade somos todos poetas!
Cedo o galo canta tecendo a manhã
E vamos viver o cotidiano como deve ser
Pois não há aqui nada de diferente
A não ser o fato de sermos todos poetas.
O padeiro é um poeta
Rabisca versos no papel de pão
Por isso é mais lido pelas manhãs...
O empresário é um poeta
Embora ocupado no ofício
De sempre bater a meta
Libertou-se da métrica
H
O
J
E
Faz
Poesia
Concreta.
Se há crimes
São todos passionais
E a cada delito o meliante
Deixa em versos sua confissão.
Vai a júri onde o advogado
Faz em rimas decassílabas
A defesa do réu poeta.
A sentença é proferida
Em sextilhas ou redondilhas.
E o juiz, que é poeta,
Usa quadras de cordel
E declama desenvolto
Dando a sentença ao réu.
As putas cobram o dobro
Se o cliente faz rimas ricas.
Nos becos os travestis
Conjugam o verbo erotizar
Sem simbolismo ou romantismo
Criando textos dadaístas
Em sentido figurado.
Outras figuras noturnas
Fazem poesia marginal
Enquanto na gráfica
Imprimem o jornal
Narrando os fatos
Em sonetos, odes e poemas épicos
Que retratam a vida agitada
Da cidade onde só uma coisa é certa:
Leis, notícias, cartas de amor,
Discursos de políticos,
Lição de matemática,
Teses de mestrado,
As palavras de um profeta,
Manuais de instruções,
Tratados de paz,
Declaração de calamidade pública,
Bula de remédio,
Receita e regras de dieta
É tudo subjetivo
E com licença poética.
Cada criança que nasce
Em vez de certidão de nascimento
Recebe do tabelião,
Que é poetiza ou poeta,
Um documento oficial
Que confere ao cidadão
Por lei rimada e irrevogável
O direito de pensar
E de viver como poeta.
(Rafael Oliveira, 16/01/2014)

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Lendo nossa história


Grandes livros de 5 escritores Piraporenses. História, crônicas, relatos, poesia. Tudo aí...



Livro Pirapora, 100 anos de história: fatos, fotos e personagens que marcaram a vida da cidade.
Autores: Brenno Álvares da Silva
             Ivan Passos Bandeira da Mota
Ano 2012



Livro Na carreira do rio São Francisco: trabalho e sociabilidade dos vapozeiros.
Autor: Zanoni Neves
Ano 2006



Livro Pirapora, um porto na história de Minas.
Autores: Brenno Álvares da Silva
             Domingos Diniz
             Ivan Passos Bandeira da Mota
Ano 2000



















Livro Rio São Francisco: Vapores e Vapozeiros.
Autores:Domingos Diniz
            Ivan Passos Bandeira da Mota
            Mariângela Diniz
Ano 2009

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Livro O DESPERTAR DA ALMA


Neste livro de Geraldo Santana há um conjunto de narrativas e de poemas que remetem aos sentimentos e às contradições do ser humano. O autor, que hoje vive em Pirapora, é nascido em São Francisco, graduado em Filosofia e Teologia. Seus textos trazem reflexões sobre as angústias, os medos, a nostalgia, a tristeza, a perda, a saudade e os mistérios da alma humana, que por vezes adormece dentro dos corpos que estão distraídos pela mesquinharia da vida cotidiana. O livro O DESPERTAR DA ALMA retrata as reflexões da alma do escritor que desperta para revelar-se em verso e prosa.

HOMEM MUDO
(Geraldo Santana)

Muda-se o tempo, muda-se a vida,
Muda-se a história, 
Mais mudo

Mudam-se as coisas, a cara, a hora
E mudo.

Já não há roupa, nem marca, nem terra
E eu mudo...

Leio, canto e fico em silêncio
Mais mudo

Eu já não tenho existência, foram-se os dias
A vida e a morte
E eu mudo.

Já não há hora, nem roda,
Nem farinha,
Nem rapadura, muda

Nem campo,
Nem batalha, muda...

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Historinhas Integrais em Verso e Prosa


Mais um livro do escritor Edson Lopes. A novidade é que essas historinhas em prosa e verso foram criadas junto com os alunos da Escola Municipal Profª Coeli Ribas.

"Vivemos grandes aventuras. Contamos histórias, desenhamos histórias, pintamos histórias e, o que é melhor, fizemos uma grande amizade que se transfigurou em prosa e poesia. A maior parte dos textos que fazem parte deste livro tem um pouco da alma de cada menino ou menina do integral*"
Edson Lopes

Caricatura do escritor Edson Lopes, por Roberto "Bozzo"

*Integral - alunos que estudam em tempo integral e participam das oficinas de artes, esportes e outras atividades. Entre essas atividades está o Momento Literário, atividade coordenada pelo escritor Edson Lopes.

sábado, 13 de dezembro de 2014

A chama da vela

Na penumbra do quarto
Dançavam as sombras seus compassos
E realçavam, ora o escuro, ora o claro
Era uma chama fraca
Que aos poucos consumia
Uma vela ao meio que chorava...
Sozinha, também quieta, eu sentia
A tristeza daquela que queimava
E à meia luz, meia sombra
Eu contemplava a louca dança
Enquanto um pouco de mim morria
Como a vela...
Consumida pela própria chama  




Daisy Martins

domingo, 7 de dezembro de 2014

DAQUI - Meninice / Tempo de relembrar



Leia o poema Meninice AQUI

Tempo de relembrar
(música de Alex Bonjaez)

Numa pequena mas grande cidade
sempre fui eu um menino tímido
mas cheio de esperança
Com sonhos de criança
brincava sem parar...
Aquele velho contava histórias
de um tempo que se foi:
"Seu Dodô jogava bola
num time só de dois"
Lembro quando eu jogava ioiô
e a vó Iaiá me olhava diferente
ela não sabia jogar.
Tantas eram as brincadeiras
ai, que saudade deu...
Tempo bom não volta mais.
Feliz aqui sou eu.
Hoje tudo se modificou,
a cidade Cresceu,
as pessoas estão distantes,
mas a amizade não morreu.
Eh, menino sempre quero ser
Ah, como é bom a gente lembrar.

sábado, 6 de dezembro de 2014

Talvez esse ano...


Talvez esse ano
Eu finalmente realize meus planos
Cometa menos enganos
Ou me resolvo de vez, me desengano
Talvez esse ano.

Talvez esse ano
Eu mude de idéia
Ou talvez seja o ano da minha estréia
Talvez esse ano, me surpreenda com novidades
Ou eu talvez finalmente aceite a minha idade

Talvez esse ano, 
Eu faça as pazes com a balança
Ou consiga ter mais confiança
E pare de viver com tanta cobrança.

Talvez esse ano, 
Eu pare de me preocupar 
E esqueça os erros do passado
e resolva finalmente me perdoar 
Talvez esse ano
A vida seja do jeito que eu quero
Talvez esse ano...                                                                        

Ah, assim eu espero
Talvez esse ano, 
Eu esqueça os amores do passado
E finalmente, talvez esse ano 
Meu coração seja bem ocupado

Talvez esse ano
Eu estabeleça prioridades

E consiga ter mais espiritualidade
Talvez esse ano, eu paro de trabalhar até mais tarde
Talvez esse ano,    
O amor resolva finalmente me encontrar    
E nos próximos anos    
O meu único plano, seja simplesmente amar...
É, talvez esse ano...

(Poema de Anizia Caldeira. Desenhista e poetiza.
Publicado originalmente em 04 de fevereiro noBLOG DA ARTISTA)

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

DAQUI



















No IV Sarau de Música e Poesia do Clube, recebemos os nossos convidados para mostrar trabalhos autorais, para recitar e cantar poemas e músicas que gostamos, para falar das coisas daqui. O Rio São Francisco, o cotidiano e os amores barranqueiros foram temas para a poesia que se fez presente no sarau Daqui.

Vídeo "Segura o Peixe" (Pepeh Paraguassu)
Vídeo - "Canção" (Cecília Meireles) / Música "O Ciúme" (Caetano Veloso)

Tibúrcio (Monólogo) Sarau Daqui


No Sarau DAQUI, a atriz Soraya Neres apresentou um trecho do monólogo 'Tibúrcio', criado por ela para compor uma das cenas da peça teatral RUMORES, da Cia. Kânus & Cilêncios.

Veja o texto aqui


quinta-feira, 27 de novembro de 2014

DAQUI - Velhos amores daqui / Velho Chico


DAQUI

O poeta Diogo Junio recita seu poema Velhos amores daqui.
A Família Félix canta Velho Chico.


Esses amores daqui
Banhados pela água do Rio São Francisco
Ah! eu não os resisto
Esses amore daqui
Tão puros
Tão rasos
Tão raros
Tão calmos
Como tantos outros por aí
Esses amores daqui
Com tantas histórias pra contar
Esses amores daqui:
Impossível não se apaixonar!
                                               
(Diogo Júnio)


terça-feira, 18 de novembro de 2014

Sarau para Crianças - Poesia, Contação de Histórias, Dança, Música, Teatro e Brincadeiras....

O mundo da criança precisa ser alimentado com fantasias, com histórias, com cores, sons, brincadeiras...
Durante três dias de Saraus para Crianças, nós conseguimos ver a poesia refletidas nos olhos das crianças que assistiam ou se apresentavam ali. 
Além de assistirem às cenas de teatro encenadas pelo Clube, as crianças também foram convidadas para subirem ao palco e mostrarem seus talentos em declamações, músicas e danças. 
Leilão de Jardim (Cecíla Meireles)


Quem me compra um jardim com flores?
Borboletas de muitas cores,
lavadeiras e passarinhos,
ovos verdes e azuis nos ninhos?
Quem me compra este caracol?
Quem me compra um raio de sol?
Um lagarto entre o muro e a hera,
uma estátua da Primavera?
Quem me compra este formigueiro?
E este sapo, que é jardineiro?
E a cigarra e a sua canção?
E o grilinho dentro do chão?
(Este é o meu leilão.)
O vizinho do lado (Pedro Bandeira)
Não suporto o meu vizinho!
Imagine que o danado,
com a cara mais lavada, 
passa pela minha frente
como se eu não fosse nada.

Não suporto o meu vizinho!
Roda pelo bairro todo,
Sem prestar nem atenção,
E se esquece que uma vez
lhe emprestei o meu pião.

Não suporto o meu vizinho!
Se eu pudesse, agora mesmo
me mudava de cidade,
ou melhor: mudava ele
pra bem longe, na verdade.

Ah, que moleque feio e tolo!
Pensa que é muito importante
Só porque tem bicicleta.

Eu só vou mudar de ideia
de uma forma bem completa, 
se o danado do vizinho 
me emprestar a bicicleta.

Mais vídeos do Sarau para Crianças AQUI

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Saraus para Crianças

                                                                                  Foto: Ivan Rodrigues
Durante a I Semana de Arte e Cultura de Pirapora o Clube Literário Tamboril realizou vários saraus para crianças juntamente com os alunos e educadores da rede municipal de ensino de Pirapora. 
Foram três dias de palco livre para a fantasia das histórias, da poesia, da música, da dança e do teatro. Alunos, professores, escritores, contadores de histórias e artistas locais transformaram o palco em um mundo de sonhos e de liberdade.

Pantomima: O Palhaço, a Bailarina e o Vilão. (Foto: Ivan Rodrigues)
             Foto: Ivan Rodrigues


 Poema "Leilão de Jardim", de Cecíla Meireles. Declamado por alunos da Escola Geny Hatem

 Poema "A canção dos tamanquinhos", de Cecíla Meireles. Recitado por aluna do CECRIA. (Foto: Cíntia Fonseca)

Apresentação musical das alunas da Escola Rui Barbosa.  (Foto: Cíntia Fonseca)

"Sabalelê", número de percussão corporal e dança apresentado por alunas da Escola Geny Hatem (Foto: Cíntia Fonseca)
Apresentação dos alunos do Colégio Cenecista de Pirapora. (Foto: Cíntia Fonseca) 

Coral da Escola Municipal Doutor Otávio. (Foto: Cíntia Fonseca) 

Brincando com a poesia "O pato", de Vinícius de Moraes. (Foto: Cíntia Fonseca) 

"Lá vem o Pato, pata aqui pata acolá. Lá vem o Pato para ver o que é que há". (Foto: Cíntia Fonseca)

Coral da Escola Municipal Dona Cândida Mendes Álvares (Foto: Cíntia Fonseca)

Trupe Art'manha apresentando a esquete teatral "As peripécias do Macaco Simão" (Foto: Cíntia Fonseca)

Leco Boneco, um dos apresentadores do Sarau. (foto: Cíntia Fonseca)

Contação de Histórias com a Tia Lena
Boneco Leco tocando flauta doce no 1º dia de Sarau para Crianças

Contação de História: "A Cigarra e a Formiga" (foto: Cíntia Fonseca)
Florzinha apresentado, contando histórias e cantando no Sarau para Crianças

Bonecos e Fantoches do Curso "A arte de contar histórias". (Foto: Cíntia Fonseca)
Bonecos e Fantoches do Curso "A arte de contar histórias". (Foto: Cíntia Fonseca)

domingo, 2 de novembro de 2014

Manuel Bandeira e Villa Lobos


Nesta cena do III Sarau do Clube Literário Tamboril o professor e escritor Carlos Roberto recita o poema Madrigal Melancólico, de Manuel Bandeira. As músicas executadas pelos violonistas Leonardo Caffé e Lobão, são de Heitor Villa Lobos, representante do movimento modernista na música. A primeira música executada chama-se Mazurka Choro, a segunda é o Trenzinho Caipira.

"O que eu adoro em ti 
não é a tua beleza
a beleza é em nós que existe
a beleza é um conceito
e a beleza é triste
Não é triste em si
mas pelo que há nela
de fragilidade e incerteza"

Trecho do poema "Madrigal Melancólico" (Manuel Bandeira)

Veja outro vídeo do Sarau Modernismo-Tropicália

sábado, 1 de novembro de 2014

O Poeta come amendoim


A poesia de Mário de Andrade e a música de Caetano Veloso no Terceiro Sarau de Música e Poesia Clube Literário Tamboril. 
Elaine Ramos recita "O poeta come amendoim" escrito por Mário de Andrade para o poeta mineiro Carlos Drummond.
Rafael Oliveira, Guilherme Magno e Junin Tuzin interpretam a música "Tropicália". 

O Poeta Come Amendoim
(Mário de Andrade)

Noites pesadas de cheiros e calores amontoados...
Foi o sol que por todo o sítio imenso do Brasil 
Andou marcando de moreno os brasileiros
Estou pensando nos tempos de antes de eu nascer...
A noite era para descansar. As gargalhadas brancas dos mulatos...
Silêncio! O imperador medita os seus versinhos.
Os Caramurús conspiram na sombra das mangueiras ovais.
Só o murmurejo dos cre'm-deus-padres irmanavam os homens de meu país...
Duma feita os canhamboras perceberam que não tinha mais escravos,
Por causa disso muita virgem-do-rosário se perdeu.
Porém, o desastre verdadeiro foi embonecar essa república temporã.
A gente inda não sabia se governar.
Progredir, progredimos um tiquinho
Que o progresso também é uma fatalidade.
Será o que o nosso senhor quiser!
Estou com desejos de desastres...
Com desejos do Amazonas e dos ventos muriçocas
Se encostando na canjerana dos batentes...
Tenho desejos de violas e de solidões sem sentido
Tenho desejos de gemer e de morrer.
Brasil...
Mastigado na gostosura quente do amendoim...
Falado numa língua curumim 
De palavras incertas num remeleixo melado melancólico...
Saem lentas frescas trituradas pelos meus dentes bons...
Molham meus beiços que dão beijos alastrados
E depois semitoam sem malícia as rezas bem nascidas...
Brasil amado não porque seja minha pátria,
Pátria é acaso de migrações e do pão-nosso onde Deus der.
Brasil que eu amo porque é o ritmo do meu braço aventuroso, 
O gosto dos meus descansos, 
O balanço das minhas cantigas amores e danças.
Brasil que eu sou porque é a minha expressão muito engraçada,
Porque é o meu sentimento pachorrento, 
Porque é o meu jeito de ganhar dinheiro, de comer e de dormir.

Assista outro vídeo do Sarau Modernismo-Tropicália